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Faltam palavras ao Natal

Palavras são sentimentos concretizados, expressos, realizados seja lá para o que for, para reproduzir a observação da vida e do dia a dia, transformando-se em crônicas (o caso aqui), para indagar profunda e filosoficamente sobre a existência, para acusar, defender, morrer e até mesmo matar. Serventia vasta...

No caso da crônica, lida-se com os sentimentos, transformados em palavras, que se colhem aqui e ali, no transcorrer da existência em sociedade, esse caos em permanente transformação.

Daí a necessidade da dinâmica das palavras acompanhar a dos sentimentos que brotam nesse processo de "observação participativa". Daí a necessidade de se deixar que as palavras fluam, surjam e se concretizem, tal e qual os sentimentos. Essa é, a meu ver, a essência da crônica, pelo menos no processo criativo que conheço.

Esse intróito todo veio a propósito da observação de como as pessoas, nesta época do ano, repetem as mesmas palavras na busca de exprimir sentimentos muitas vezes, e em geral, verdadeiros. O desejo é grande, mas o repertório e a criatividade, como notou a jornalista Sandra Muraki, desaparecem.

Daí os chavões: Feliz Natal e próspero Ano Novo, o mesmo para você e sua família, que o Ano Novo seja melhor que o que está terminando, que a felicidade reine entre os seus, tudo de bom... Isso e apenas mais meia dúzia de expressões.

Na imensa riqueza da língua portuguesa, porém, há tantas palavras de significados tão importantes e convenientes para esta época do ano, que achei por bem fazer uma pequena seleção. São apenas 20 palavras, mas sem as quais, ou sem o sentimento que elas representam, a vida seria muito pior. Ei-las:

Compostura

Paz

Foco

Respeito

Fidelidade

Observação

Amabilidade

Clareza

Desejo

Acuidade

Felicidade

Determinação

Serenidade

Aceitação

Resistência

Coragem

Amor

Sonho

Realidade

Generosidade

O leitor que acrescente outras que julgar convenientes e que aproveite bem Natal e Ano Novo.

Até 2007...

Luiz Caversan, 50, é jornalista. Foi repórter especial e diretor da Sucursal do Rio da Folha. Escreve crônicas sobre cultura, política e comportamento aos sábados para a Folha Online.


Sabrina :: 13h13 ::




Bom dia, tristeza,
que tarde, tristeza.
Você, veio hoje, me ver.
Já estava ficando,
até meio triste,
de estar tanto tempo,
longe de você.
Se chegue tristeza,
se sente comigo,
aqui nesta mesa de bar.
Beba do meu copo,
me dê o seu ombro,
que é para eu chorar.
Chorar de tristeza,
tristeza de amar.


(Vinícius de Moraes)



Sabrina :: 20h50 ::




Papai Noel é a imagem comercial mais poderosa do mundo, segundo consultoria

CIDADE DO MÉXICO, 20 dez (AFP) - Papai Noel, Santa Claus, São Nicolau. Como quer que se chame, o simpático e rechonchudo velhinho de barba branca é considerado "a marca mais poderosa do mundo", à qual recorrem firmas internacionais para se fortalecer, assegurou nesta quarta-feira uma consultoria mexicana.

Apesar de não ser exatamente uma marca registrada, "as vendas da imagem de Santa Claus superam todas as mais bem sucedidas campanhas promocionais de empresas como Microsoft, Coca-Cola, Ford, Sony, Mitsubishi", assegurou a consultoria de marketing Eventum.

Além disso, a imagem do famoso personagem natalino "é responsável por muitos bilhões de dólares em vendas e atos de caridade" e "vende mais que todas as marcas comerciais mais fortes do mundo juntas".

O diretor da consultoria, Alfonso Noriega, identificou a essência da marca 'Santa Claus" com "a bondade, já que representa o trabalho duro, a recompensa e o dar o melhor de nós mesmos".

Outra característica que contribui para o seu êxito, acrescentou o especialista, são "valores consistentes (como a generosidade e a recompensa), visibilidade permanente no Natal, mensageiros que promovem seu ideal e conexão emocional com as pessoas".

A primeira imagem do Papai Noel remonta a 1863, ano em que apareceu publicada no jornal americano Harper's Weekly Newspaper, por obra do alemão Thomas Nast.

Desde então, muitas empresas têm tentado se apropriar de sua imagem, "as quais desejam tê-la como parte de seus ativos e associada com seus produtos", destacou a Eventum.

"No entanto, a Coca-Cola é a que obteve o maior êxito", acrescentou.

A empresa de bebidas americana "colaborou para construir a imagem que temos atualmente de Santa Claus", pois criou, em 1931, a imagem internacionalmente conhecida do personagem.

fonte: http://diversao.uol.com.br/ultnot/afp/2006/12/20/ult32u15704.jhtm



Sabrina :: 12h16 ::




O que fizeram do Natal
Carlos Drummond de Andrade

Natal
O sino toca fino.
Não tem neves, não tem gelos.
Natal.
Já nasceu o deus menino.
As beatas foram ver,
Encontraram o coitadinho
(Natal)
mais o boi mais o burrinho
e lá em cima
a estrelinha alumiando.
Natal.

As beatas ajoelharam
e adoraram o deus nuzinho
mas as filhas das beatas
e os namorados das filhas
foram dançar black-bottom
nos clubes sem presépio.



Sabrina :: 15h19 ::




Espectadores americanos vêem "Turistas" em Nova York e concordam com teor do filme; longa causa polêmica no Brasil

"Eu não conheço um americano que já tenha ido ao Rio e nunca tenha sido assaltado", diz fotógrafa que assistiu à sessão em NY

A atriz Olivia Wilde em praia de Ubatuba, no litoral de São Paulo, onde "Turistas" foi gravado

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DE NOVA YORK

O cenário: a selva inabitada; a língua: uma derivação de português com espanhol; o povo: mulatas e índios; trilha sonora: salsa; bebida: caipirinha; comida: frutas tropicais, extraídas da mata; sexo: por dinheiro; balada: festas na areia da praia; moda: garotas seminuas, com os seios ao léu.
Tudo isso está presente em "Turistas", filme que a Folha assistiu em um cinema de Nova York na semana passada e que tem causado rebuliço no Brasil (onde estréia em fevereiro) por seu enredo recheado de clichês. Conversando com a reportagem, os espectadores norte-americanos não vêem tantos absurdos na história. "O filme não mostrou nada que eu já não soubesse ou tivesse visto no Brasil. Daria um rim para passar a noite com uma daquelas mulatas", disse à Folha na saída do cinema AMC Loews o analista financeiro Shawn Roberts, 32, três viagens ao Rio em um ano, numa delas assaltado em Copacabana.

Enredo
Não há cenas urbanas, e o mais próximo de uma cidade é a favela, um vilarejo sem asfalto com barracos e esgoto a céu aberto. "Minha amiga disse que eu não deveria trazer meu anel de brilhantes ao Brasil", afirma uma das adolescentes americanas no filme. "Quando falam do país mostram mulher bonita, bebida e sexo farto, mas não dizem que vamos ser roubados", completa um dos jovens britânicos, depois de se recuperar do golpe "boa noite, Cinderela".
Em certo ponto do filme, um médico-bandido brasileiro faz um discurso chavista sobre o imperialismo americano e o demoniza, enquanto remove o fígado, os rins e o coração (em primeiro plano) de uma garota. E completa, em inglês claudicante: "Vou tirar tudo, até a pele da sua bunda branca".
Gravado em Ubatuba, o filme de terror adolescente mostra um grupo de estrangeiros caindo numa cilada. Com sangue e diálogos ruins, há numerosos crimes: 1) "boa noite, Cinderela"; 2) roubo de turistas; 3) tráfico de órgãos; 4) seqüestro; 5) latrocínio; 6) estupro; 7) ação de esquadrões da morte.

Repercussão
"Não é a primeira vez que ouço coisas sobre a violência no Brasil. Sei que tem cidades grandes como Buenos Aires [sic], Rio, que não é só selva. Mas tenho medo de ir e ser assaltada. Acho mais seguro ir às praias do Caribe", afirmou a designer Anna Keller, 25, após a sessão em Nova York.
"Fiquei com medo de visitar o Brasil após o filme. Não acho que seja mentira. Já li muito sobre tráfico de drogas no Rio e em São Paulo. Diz que até a polícia mata por lá. Por mais bonito e barato que seja, não compensa", diz o consultor Bryan Poulis, namorado de Keller.
"Não conheço um americano que já tenha ido ao Rio e nunca tenha sido assaltado. Fui roubada em Copacabana por crianças da favela. Elas tinham facas nas mãos e estavam drogadas. A polícia disse que não poderia fazer nada. O delegado falou que tive sorte de não ter sido morta", afirmou a fotógrafa Melissa Evans, 34.



Sabrina :: 15h09 ::